Há um mito que resiste há décadas nos ginásios de todo o país: para emagrecer, o que resulta é o cardio. A passadeira, a bicicleta e a elíptica. Fazer musculação para emagrecer é ainda algo que não faz sentido para muitas pessoas. Mas os resultados falam por si: quem experimenta nem sempre vê o ponteiro da balança descer, mas garante que o número das calças é menor.
Hoje, vai perceber por que razão muitas pessoas preferem a musculação para emagrecer.
- A musculação aumenta a massa muscular, e mais músculo significa maior gasto calórico em repouso, o que acelera a perda de gordura a longo prazo.
- O cardio queima mais calorias durante a sessão, mas o efeito termina quando para. A musculação continua a gastar energia horas depois.
- A combinação de musculação e cardio é a estratégia com maior evidência para perda de gordura sem perda de massa muscular.
- Três sessões de musculação por semana são suficientes para resultados visíveis em 8 a 12 semanas, com alimentação adequada.
- O erro mais comum é fazer apenas cardio e medir o progresso só pela balança.
Qual queima mais gordura: a musculação ou o cardio? Se pensa assim, está a fazer a pergunta errada. A pergunta certa é: qual das duas modalidades de treino produz melhores resultados na composição corporal a longo prazo?
O cardio gasta mais calorias durante a sessão. Uma hora a correr a ritmo moderado pode queimar entre 400 e 600 calorias, dependendo do peso e da intensidade. Mas quando para, o gasto calórico volta ao normal.
A musculação gasta menos calorias durante a sessão, mas cria um efeito diferente: o corpo continua a gastar energia nas horas seguintes para reparar as fibras musculares solicitadas. Este fenómeno, conhecido na literatura como EPOC (excess post-exercise oxygen consumption), prolonga o gasto calórico por 24 a 48 horas após o treino.
"Quando alguém me diz que faz só cardio para emagrecer, explico sempre o mesmo: o cardio faz o trabalho hoje, mas é o músculo que mantém o metabolismo aceso amanhã." - Equipa de Personal Trainers TTF
O músculo é metabolicamente ativo. Isso significa que, ao contrário da gordura, o músculo consome energia mesmo em repouso. Quanto mais massa muscular se tem, mais calorias o corpo gasta durante o dia, mesmo sem fazer nada.
Este é o mecanismo central que torna a musculação tão eficaz para emagrecer a longo prazo: ao aumentar a massa muscular, aumenta-se o gasto calórico basal. A perda de gordura torna-se progressivamente mais fácil à medida que o corpo muda de composição.
Segundo uma revisão publicada no Journal of Obesity, o treino de resistência, como a musculação, produz reduções significativas na gordura total e na gordura visceral em adultos com excesso de peso, com efeitos independentes da dieta.
"O músculo que se constrói no ginásio trabalha para si 24 horas por dia. Não é só uma questão de estética, é uma questão de metabolismo." - Equipa de Nutrição TTF
O objetivo não é treinar como um culturista. É criar estímulo muscular suficiente para manter e aumentar a massa magra enquanto o défice calórico faz o seu trabalho.
Três a quatro sessões por semana, com exercícios compostos como base: agachamento, supino, remada e peso morto recrutam múltiplos grupos musculares em simultâneo e maximizam o gasto calórico.
Reduzir o descanso entre séries para 45 a 60 segundos mantém a frequência cardíaca elevada sem sacrificar o estímulo muscular. A progressão de carga deve ser consistente: manter sempre os mesmos pesos leva à estagnação, tanto no desenvolvimento muscular como na perda de gordura.
Para estruturar estas sessões numa semana de treino, o plano de treino semanal de musculação para iniciantes apresenta exemplos adaptados a 3 e 4 dias.
Sim, na maioria dos casos. Mas a combinação tem uma ordem de prioridade.
A musculação deve ser o eixo central do plano, com o cardio a funcionar como complemento. Fazer cardio a seguir à musculação, ou em dias separados, é mais eficaz do que fazer apenas cardio.
"Quem combina força e cardio perde gordura mais depressa do que quem faz só um dos dois. O segredo está em não deixar o cardio canibalizar a recuperação do treino de força." Equipa de Personal Trainers TTF
A combinação de treino de força com exercício cardiovascular é a abordagem com maior evidência para perda de gordura sem perda de massa muscular. O artigo plano de treino para iniciantes: como combinar força e cardio explica como estruturar essa combinação de forma prática.
Perder peso só com cardio tende a resultar em perda de massa muscular além da gordura, o que compromete o metabolismo e dificulta a manutenção dos resultados.
Num défice calórico, a proteína é o nutriente mais importante para preservar a massa muscular. A recomendação mais citada na literatura situa-se entre 1,6 e 2,2 gramas por quilograma de peso corporal por dia.
A musculação aumenta a densidade muscular e pode não refletir de imediato na balança. A composição corporal e a evolução das cargas no treino são indicadores mais precisos.
A perda de gordura sustentável situa-se entre 0,5 e 1 kg por semana. Resultados mais rápidos tendem a incluir perda de músculo e água, não apenas gordura.
Perder gordura não é linear. Nas primeiras semanas, o corpo está a adaptar-se ao novo estímulo e a balança pode não mexer tanto quanto se espera, ou mexer por razões que não são gordura. A retenção de água causada pela inflamação muscular do treino novo é comum e temporária.
A partir das 6 a 8 semanas, com défice calórico moderado e proteína suficiente, a composição corporal começa a mudar de forma visível. Quem combina musculação com cardio tende a ver essa mudança mais depressa do que quem faz apenas um dos dois.
Para começar com um plano adaptado ao seu objetivo, marque uma sessão gratuita na TTF e treine com o apoio de um personal trainer desde o primeiro dia.
Correr gasta mais calorias por sessão. A musculação produz melhor composição corporal a longo prazo porque aumenta a massa muscular e o gasto calórico basal. A combinação de ambos é a estratégia mais eficaz.
Três a quatro sessões por semana. Abaixo de três, o estímulo pode ser insuficiente para manter a massa muscular num défice calórico.
A musculação deve vir primeiro. Fazer cardio antes esgota as reservas de glicogénio e compromete a qualidade do treino de força.
Fontes e Revisão Editorial
Âmbito Editorial
Este artigo tem caráter informativo sobre a relação entre treino de musculação e perda de gordura. Não substitui a avaliação e o acompanhamento de um profissional de educação física ou de nutrição certificado.
Autoria e Revisão Técnica
Equipa de Conteúdos da TTF – Time To Fitness. Revisão técnica por Personal Trainers certificados e Nutricionistas credenciados da rede TTF.
Fontes de Referência
- Strasser, B., & Schobersberger, W. (2011). Evidence for resistance training as a treatment therapy in obesity. Journal of Obesity, 2011. Disponível em: pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/21951360
- Willis, L. H. et al. (2012). Effects of aerobic and/or resistance training on body mass and fat mass in overweight or obese adults. Journal of Applied Physiology, 113(12).
- American College of Sports Medicine (ACSM): ACSM's Guidelines for Exercise Testing and Prescription, 11.ª edição (2021).
Notas de Conformidade
A TTF não apresenta promessas de resultados físicos individuais. As recomendações têm caráter orientador e devem ser adaptadas à condição física de cada pessoa. Em caso de dúvida ou condição de saúde pré-existente, consulte um profissional antes de iniciar.